Os sonhos foram
encarcerados
no recondito do seu
coração,
para que não os pudessem
roubar.
Na clausura sua alma
chorou
tentou o amor
abortar.
Matou,definhou,secou.
Padeceu por longas
madrugadas
flagelou seu
coração
tentou apagar da
memória
todas as ilusões, as
fantasias,
se fechou no seu
mundo
sem nenhuma
luz,
sem
nenhuma emoção.
Triste,
abandonada,sózinha
cumpria sua
sentença
no calabouço frio onde
se
escondeu do
mundo,
em vida se
fossilizou
não reagiu,se
marmorisou.
A solidão era seu
alimento,
transformou em
fragmentos
os sentimentos
estilhaçados.
Vasculhando os
pensamentos
nada encontrava,além
de
perdas,tristezas,lamentos.
O rosto tomado pelas
rugas
os pés carcomidos pelo
chão
de cimento...o corpo
outrora
cheio de
curvas,belo,torneado
transformou-se,tornou-se
cadavérico,
esquelético.
A cada dia uma nova
ferida
resultavam feias
cicatrizes.
O mártirio do silêncio,
a
ausencia de
horizontes
desiquilibrou sua
mente...
tornou-se
louca,demente.
Confundia os
instintos
nunca sabia se era noite,se era
dia.
Fez da vida um
calvário
sepultou-se viva...as
saudades
foram assassinos
impiedosos.
Queria gritar...não tinha
voz
queria chorar,não tinha
lágrimas.
O dia amanheceu
escuro,
chuva torrencial,ventos
fortes.
Raios,
relampagos,trovões,
iluminaram a
escuridão....
seu espectro jogado no
chão
em meio aos seus
trapos
a ninguém causou
emoção.
Nos redemoinhos da
vida
foi dama, foi
mundana
filhos não
gerou,
não deu nem teve
amor.
E nem a si
mesmo...amou.
Vitória.E.Santo
08/05/2007
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