Hoje matei meu poema.
 
Hoje ví cenas explícitas da vida,
protegida pela janela de meu carro...
Sem cortes, sem censura.
Todo o sentimento do mundo tomou conta de mim,
 fazendo ver o quanto sou impotente,
covarde e suficientemente humana,
 ante a miséria, a fome e o abandono.
Hoje abortei muitos versos...
falta-me poesia suficiente,
para aplacar tanta tristeza,
para colocar alguma cor além do cinza,
para confirmar que a poesia,
 triste ou alegre, explica a vida
de forma mais bonita.
Hoje, matei meu poema...
 
Augusta Melo
 
Cod.:T1611219