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BECO DO LOUCO
                           Edson Carlos Contar
 
Pobre gente que não sabe quem sou,
Pobre de mim que não sei quem são.
Não conhecem minha história
E duvidam da minha razão...
 
Não sabem da noite distante,
Em que ela aqui  apareceu,
E, neste beco escuro,
Por migalhas a comprei.
 
Era linda e carinhosa,
Silhueta maravilhosa,
Que, embevecido, admirei.
E aqui mesmo neste lugar,
Como que num lupanar, 
Loucamente eu a amei...
 
Por um niquel, deu-se tensa,
Entregou-se em silêncio,
E em silêncio partiu.
Refletida, então, na luz,
Percebi  em sua linda face
Uma lágrima que caiu...
 
Sentí-me o pior dos homens,
Por me apoiar na desgraça,
E no  desespero de um ser
Que, por uma migalha de pão,
Indiferente à razão,
Saciou o meu prazer.
 
Desde então, eu a espero,
No lugar em que a encontrei.
Frio, chuva, não importa,
Meu pecado não paguei.
 
Já grisalho, me agasalho,
Na esperança que, um dia,
Ela passe por aqui,
E possa ouvir-me assim rouco,
Pedir que perdõe o homem,
Que todos chamam de louco!
 
 
 
 
CALLEJÓN DEL LOCO
Edson Carlos Contar

Pobre gente que no sabe quien soy,
Pobre de mí que no sé quienes son.
No conocen  mi historia
Y dudan de mi razón...

No saben de la noche distante,
En que ella aquí apareció,
Y, en este callejón oscuro,
Por migajas la compré.

Era linda y cariñosa,
Silueta maravillosa,
Qué, embobado, admiré.
Y aquí mismo en este lugar,
Como que en un lupanar,
Locamente yo la amé...

Por una moneda, se dio tensa,
Se entregó en silencio,
Y en silencio partió.
Reflejada, entonces, en la luz,
Percibí en su linda cara
Una lágrima que cayó...

Me senti el peor de los hombres,
Por apoyarme en la desgracia,
Y en la desesperación de un ser
Qué, por una migaja de pan,
Indiferente a la razón,
Sació mi placer.

Desde entonces, yo la espero,
En el lugar en que la encontré.
Frío, lluvia, no importa,
Mi pecado no pagué.

Ya canoso,  me abrigo,
En esperanza que, un día,
Ella pase por aquí,
Y pueda oírme así ronco,
Pedir que perdone al hombre,
Qué todos llaman de loco!
 

 
 



 




Beco do Louco