VELHA
ÁRVORE
Edson Carlos Contar
Deixa,
velha árvore,
que
façam trovas debochando da tua
velhice.
Eu
continuo vindo aqui para encontrar-te
nesta
pracinha, palco da minha meninice...
Acompanhaste
minha infância e juventude,
os
meus segredos, minhas dores encobriste.
Faz
tanto tempo, estou velho e combalido,
mas
tu és forte e a temporais ainda resistes.
Até
os nomes que gravei no tronco amigo
do amor primeiro que sonhei quando criança,
ainda
guardas entalhados em teu corpo,
trazendo
a mim, dos velhos tempos, tal lembrança.
Mesmo
que passem indiferentes à tua presença,
aqui
estarei pelas manhãs de primavera.
E
no verão e no outono ou no inverno,
eu
voltarei para viver minha quimera.
E quando, um dia, eu for chamado a
juízo,
meu
desejo já deixei pra quem ficar,
quero
em tua sombra o abrigo de que preciso
e aqui para sempre estarei a te
abraçar.