FINJO...
José Geraldo Martinez Ah!
Minha infância, quem diria
que
virias me visitar?
Agora
com meus cabelos grisalhos,
nas
cores das ondas espumantes do mar...
Num
domingo nublado,
com
arco-íris cortando todo céu...
Faz-me
parar as horas do relógio,
olhando
no poente as nuvens
despencarem qual véu...
Faz-me
menino novamente,
a provar
das carambolas suculentas no pé!
Borrar
minha boca nas amoras,
banhar-me nos rios e igarapés...
Ah!
Minha infância, quem diria?
Ainda
com esta minha timidez...
Beijar o
rosto da primeira namorada,
em meu
imaginário outra vez!
Usar um
short de brim!
Com pés
descalços no chão?
Sair
pela noite e capins,
procurando pirilampos pela escuridão...
Pensei
que nunca mais voltarias,
seria o
próprio contra-senso!
Vivo à meia-idade neste dia e tu
pertences
a outro tempo...
Ah!
Minha infância,
que bom
te reencontrar!
Brinco
na enxurrada com a molecada,
pelas
ruas do meu lugar...
Que me
olhem atravessado e
até
pensem que esteja caducando...
Tem jogo
de botão no tabuleiro e um
garoto
me convidando!
Esqueço
do calendário atual,
dos
compromissos que a realidade revela!
Abraço a
minha infância, é normal...
Para
quem tem saudade dela!
Só me
faltam as pipas,
o
carrinho de rolimã...
Onde
andariam os meninos de ontem?
Perdidos
num qualquer divã?
Presos
num escritório?
Entre
quatro paredes entristecidos?
Com medo
de rever a infância,
a bem
dos compromissos assumidos?
Visto
ainda um boné aos olhos
de
adultos inconformados!
Hoje,
por nada dispenso a infância,
sou nela
todo, passado!
Hoje,
por nada sou gente grande...
Visto o
peito de sonho e esperança!
Neste
futuro, finjo que não existo...
Sou nele
todo, criança!
20/10/2008
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Purifica o teu coração antes de permitires que o amor entre
nele,
pois até o mel mais doce azeda num recipiente
sujo.
Pitágoras = = = Arte final por Lêda Yara |