BOFETADA

 

Num ímpeto rasga o ar

Numa velocidade extrema

Descarregando toda ira contida

Atingindo a face de maneira plena

Num golpe profundo e ensurdecedor.

Aguarda o revide que não acontece

Apenas um silêncio consumado

Carregado de um olhar baixo

E uma dor sufocada.

Espera um tanto mais

Nenhuma palavra...

Nem qualquer gesto!

O arrependimento se faz

Diante da marca deixada

A face enrubescida queima

Na angustia reprimida

Escorrida vagarosamente pela lágrima

Que escorre mansamente pela face atingida.

Só isso e mais nada!

Tudo acabou diante da fúria expressada

O amor fez suas malas e foi embora

A ternura foi jogada na lata do lixo

Enquanto a caricia ficou estática

Com vergonha de se mostrar.

A porta se fecha cálida

Alguém se vai pra não mais voltar

Alguém que fica no arrependimento

Só a solidão permanece fazendo a sua festa.

 

Marcos Sergio T. Lopes – 11/10/2007

 

 

 
 
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