“DE OLHOS VENDADOS”

 

Faltava cor nos dias seus

Uma luz que só imaginava

Sem nunca ter visto!

Um cinza tão presente

Numa escuridão tão crescente.

Faltava direção, rumo

Um lugar no mundo.

Sentia os cheiros e odores

Ouvia tantos ruídos

Com um muro em sua frente

Que lhe vendava sem misericórdia.

Tocava a flor

Sentia seu aroma

Não tinha cor!

A aparição da beleza

Que lhe castigava sem qualquer apreço.

Triste sina

Martírio incessante

De caminhar a esmo.

Belos olhos:

Claros e resplandecentes.

Negava-lhe qualquer brilho

Jogava-o num abismo

Num mundo sem matiz

Onde tudo podia sentir

Num toque detalhado...

O resto?

Apenas uma cortina sempre abaixada.

Por mais que quisesse

Mesmo que apertasse com força os olhos

Esses, não tiravam o seu suplicio

Estavam mortos!

Numa cegueira infinita.

Foi assim até o fim dos seus dias

Uma escuridão que jamais lhe deu o prazer

De uma direção carregada de luz

Resplandecida por cores majestosas.

A vida tapou-lhe qualquer fresta

Até o instante final

Quando a escuridão se fez um tanto mais.