“VIOLÊNCIA DESUMANA”
Era para ser um dia comum
Como tantos outros.
Mas o destino com suas artimanhas
Estava cheio de manhas
E resolveu dar uma tonalidade diferente
Pegando a vida e sangrando-a
De forma diferente.
Entrou no carro e rumou para o trabalho
Tinha o pensamento leve
E lembrava ainda dos gestos de amor
Que recebeu na noite que passou.
Sinal fechado
Atenção desviada pelos pensamentos.
Foi um só momento
E a tragédia marcou presença...
A arma apontada para sua cabeça
Ordem de desembarque.
Nervos a flor da pele de ambas as partes
Um cinto emperrado
Uma desgraça montada.
Foi jogado brutalmente do banco do motorista
Enquanto o banco era tomado pelo meliante:
Cego e desesperado.
O carro saindo em disparada
Enquanto seu corpo escorria
Cravado no asfalto.
Tentou ainda se desvencilhar do cinto
Num ultimo gesto de vida.
Tentativa vã
Enquanto seus gritos eram abafados
Pelo transito enlouquecido.
Seu corpo serpenteava
Com rumos inesperados
Castigando com afinco o seu corpo
Ralando-o avidamente no asfalto.
Sangue lavando toda extremidade
Enquanto o grito se calava
E a vida selava suas portas
E o destino se consumava
Na existência partida
No corpo destroçado.
Inerte...
Extremamente calado.
Foi-se os sonhos
Restando apenas o sangue
Que gotejava.

