“VIOLÊNCIA DESUMANA”

 

Era para ser um dia comum

Como tantos outros.

Mas o destino com suas artimanhas

Estava cheio de manhas

E resolveu dar uma tonalidade diferente

Pegando a vida e sangrando-a

De forma diferente.

Entrou no carro e rumou para o trabalho

Tinha o pensamento leve

E lembrava ainda dos gestos de amor

Que recebeu na noite que passou.

Sinal fechado

Atenção desviada pelos pensamentos.

Foi um só momento

E a tragédia marcou presença...

A arma apontada para sua cabeça

Ordem de desembarque.

Nervos a flor da pele de ambas as partes

Um cinto emperrado

Uma desgraça montada.

Foi jogado brutalmente do banco do motorista

Enquanto o banco era tomado pelo meliante:

Cego e desesperado.

O carro saindo em disparada

Enquanto seu corpo escorria

Cravado no asfalto.

Tentou ainda se desvencilhar do cinto

Num ultimo gesto de vida.

Tentativa vã

Enquanto seus gritos eram abafados

Pelo transito enlouquecido.

Seu corpo serpenteava

Com rumos inesperados

Castigando com afinco o seu corpo

Ralando-o avidamente no asfalto.

Sangue lavando toda extremidade

Enquanto o grito se calava

E a vida selava suas portas

E o destino se consumava

Na existência partida

No corpo destroçado.

Inerte...

Extremamente calado.

Foi-se os sonhos

Restando apenas o sangue

Que gotejava.

 

Marcos Sergio T. Lopes – 17/09/2008