|


Sou apenas mulher... Mas não quero mais
saber do lirismo que não é libertação... Assim como também não quero
por companheira a ingratidão. Estava ontem longe do céu, mas perto do
mar... E tenho certeza que aqui eu sou mais feliz... Porque eu sou a
irmã da solidão dos mares, e sou apenas mulher...
Meu tormento
é infindo... porque a vida inteira eu poderia ter sido uma mulher que
não fui... Mas quando eu estiver cansada e triste vou sempre me
lembrar que a mão que afaga não é a mesma que apedreja. E por isso eu
não vou morrer sufocada... Vou sim, colocar muitas vozes na minha
raiva e gritar bem alto: Eu sou apenas mulher...
Não sou a irmã
da solidão sem sentido. Se tenho tudo que quero, porque estou
triste? Não devo ter o hábito do sofrimento, devo, sim, cantar
porque o instante é único e porque desejo recuar das origens da minha
angústia já que sei que estou abrindo janelas em cada poema que
faço. Isto porque, mais uma vez, eu tenho certeza que sou apenas
mulher...
Vou fechar os olhos e pensar numa outra coisa. Não
quero mais chorar... e nem fazer chorar... Não quero mais tardes e
noites a esquecer... Quero mil estrelas a cintilar e poemas a
escrever, porque sou apenas mulher...
Odeio a violência... sou
apenas mulher... Não vejo nenhuma ternura nela. Vejo sim mágoas e
lágrimas amargas. Vejo, sim, gente humilhada... mas sou apenas
mulher... Não consigo contemplar completa selvageria. E tenho pena
dos ossos que choram... mas ainda bem que tudo terminou. Graças a
Deus, agora é errado bater de qualquer jeito e em qualquer
ocasião. E eu digo então: violência não!!!!
Sou apenas mulher,
mas não uma mulher apenas.
Maria Regina Moura Ribeiro
São Paulo, 30/01/2007
Ciranda Apenas Mulher organizada por ®Teka
Nascimento
Selo de
Participação:

~ Webdesign
by Marcia Salgado ~
adoro.mid 
|