Noite Fria

Neusa Mendonça

 

Gela o corpo, gela a alma, gela tudo.

Fica a agonia ao ver o terminar do dia

Na expectativa desse sufoco terminar

Mas a noite chega sinto tudo recomeçar

 

Medo, desespero, solidão, faz-me calar.

Olho sua cadeira vazia, que nela sentava

Todos os dias e ficava a me contemplar

 

Fico parada sem ação dominada pela emoção

Choro ao recordar dos dias felizes que juntos

 Passamos, que nos amamos, e

Pergunto-me porque terminamos!

 

Olho para dentro de mim  me sinto vazia

Um aperto, uma angustia devastadora.

Me trás para perto de você outra vez

Cora-ma o rosto como se fosse uma nudez

O vermelho carmim se destaca em minha

Pele clara ao recordar você outra vez.

 

Sinto o calor das lagrimas a banhar meu rosto

Lagrimas que correm junto ao meu desgosto

Pois, esquecer-te não consigo.

Tu serás para sempre meu pior castigo

 

Mas como brigar com a realidade

Se para mim tu és e sempre será minha

Única verdade!

Pois, não posso, não consigo tirar-te

Do meu coração tu massacraste

Deixou somente desilusão.

 

Fico caída no chão esperando você

Para me levantar me dar suas mãos

Mas você não vem e não virá, pois

Esqueceste o que um dia me prometeu

Ser somente meu!

E nunca me deixar

 

 

Marília 22 de maio de 2008

 

Neusa Rocha Miguel de Mendonça