Retalhos da Alma

Neusa Mendonça

 

 

 Restam-me apenas os fiapos, os retalhos

 De minha alma, as migalhas que cai de

Uma mesa farta, as sobras, os restos

     Pois, pobre estou caída na rua, nua e crua

 

  Sinto vergonha de mim, sinto o rasgar de

      Minha carne sinto o vermelho do meu rosto

       Se destacar, no vazio desta vida, vida sofrida

   Mas calo-me diante da realidade deste mundo

 

   Mundo este que esvaziaste tudo de bom que

              Tinha dentro de mim, dentro de minhas entranhas.

        Hoje vivo a vagar pelas ruas de uma cidade que

   Não existe que criei dentro de minhas ilusões

 

   Mas parada estou, sem saber que lado seguir

           Se fico estacionada no tempo ou se sigo em frente

         Estou sem direção, sem um guia, sem rumo certo

   Mas continuo seguindo a rota que tracei para

                        Minha vida, para os dias que hei de viver                           

 

Dias frios como o vagar de minhas imaginações

Como o grito parado dentro de um peito dilacerado

Resta-me apenas o amargo vazio da solidão

Onde chora minha alma, geme meu coração

Esperança, não sei, será que há!!! 

 

Marilia 07/05/08

Neusa Rocha Miguel de Mendonça