Retalhos
da Alma
Restam-me
apenas os fiapos, os retalhos
De minha alma, as migalhas que cai de
Uma mesa farta, as sobras, os restos
Pois, pobre estou caída na rua, nua
e crua
Sinto
vergonha de mim, sinto o rasgar de
Minha carne sinto o vermelho
do meu rosto
Se destacar, no vazio desta vida, vida
sofrida
Mas
calo-me diante da realidade deste mundo
Mundo este que esvaziaste tudo de bom
que
Tinha dentro de mim, dentro de
minhas entranhas.
Hoje vivo a vagar pelas ruas de uma
cidade que
Não existe que criei dentro de minhas
ilusões
Mas parada estou, sem saber que lado
seguir
Se fico estacionada no tempo ou se sigo
em frente
Estou sem direção, sem um guia, sem
rumo certo
Mas continuo seguindo a rota que tracei
para
Minha vida, para os dias que hei de viver
Dias frios
como o vagar de minhas imaginações
Como o grito
parado dentro de um peito dilacerado
Resta-me
apenas o amargo vazio da solidão
Onde chora minha alma, geme meu coração
Esperança, não sei, será que há!!!
Marilia 07/05/08
Neusa Rocha Miguel de Mendonça