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Águas
Vertentes
Reny Carvalho
Início da primavera. E ainda
sentia o frio do
inverno. Noite encantadora, calor de verão
tardio. Poucas palavras... Apenas olhares
incertos. Senti o destino fazendo seu rumo.
Queria ficar. Naquele lugar, meu pensamento
corria distante. Um olhar, que de tão envolvente,
brilhava no ar... Não tão brilhante quanto o seu
sorriso. Cada vez mais, uma força insistia
no meu peito adentrar. Beijei-o naquele mesmo instante e
senti o amor. Aquele momento sustentaria o doce
das mais nobres
colméias O mundo estava na ponta dos dedos,
no brilho dos anéis. Assim como o tempo, levando a
todos e nos deixando a
sós, - Por uma eternidade! Sentia seu cheiro, seus olhos
fechados, seu gosto
púrpuro, Sua boca clamava para um
longo beijo de inverno Senti arranhar a estrutura
do controle Estando aberto, sem perceber, o
domínio do meu ser Em noites de mistérios, senti o
amor desabrochar... Amor de poeta, amor de menino,
amor... Que importa? A poesia, sendo a trava, a tranca
e a porta É ao mesmo tempo a chave, o traço
e a volta. |