Enigma
Reny Carvalho
Felicidade é uma navalha cega que corta a
carne
No peito aprofunda e rasga à força da
vontade
Um manto que cobre o pranto, a grade da
masmorra,
Num grito casto que abre o sopro antes que
morra
Um fio de lágrima que corre pesado na valsa
triste
Em ritual de lembranças, em traços da
memória.
Em pedras revoltas, nas águas salgadas da
história
No núcleo da alma em oceano de mágoas que
viste
Apago a luz... Meus olhos tremem a dor do
brilho
Perfuro com o espinho das rosas meu velho
instinto
Nas ondas dos ventos que as folhas sopram
caindo
Paro! persigo em instantes as ondas a molhar meus
pés
Sou apenas um eterno aprendiz de um raio de
luar
Na dimensão mística, nas asas de anjos a
voar...
