Minha família, meus amores.
Silvane Saboia
Fui ao shopping hoje e levei meus
pais. No meio de tanta gente em um shoping imenso eles
pareciam duas crianças perdidas. Fiquei pensando : O que os
faz assim? Ainda tão alegres e bondosos. Mesmo que eu viva 200
anos nunca me sentirei tão segura e amada como me sinto perto
deles.Fiquei observando-os. Estão se despedindo de tudo a cada
dia eu sei. Sei que neles mora a nostalgia, as lembranças
quase apagadas de tantos anos.Sei que meu pai as vezes chora,
minha irmã o flagrou no seu quarto. O que será que pensam,
esses dois anjos, sempre de mãos dadas? Existe riqueza maior
em minha vida do que ter tido a presença deles? Não. Sou uma
mulher de sorte. Por que todo dia não vou a casa deles e me
ajoelho aos seus pés? Por que finjo que tudo é bem normal, se
ali* neles toda a essência da beleza reside? Eles caminhavam
tão devagar, Rafael na sua imatura alegria reclamava. -Mamãe!
desse jeito nós não vamos conseguir comprar o que viemos
comprar. Eu pedia calma a
ele.
Como explicar ao Rafael que bem atrás
de mim caminhava a minha vida, minha infância, meus primeiros
passos, o meu colo, meus professores, meus grandes e eternos
amores? Eles caminhavam carregando nos olhos quando olhavam
pra mim a benção de amar incondicionalmente.Carregavam nos
passos lentos uma história de tantos momentos. Ah meu Deus, eu
nem queria sentir assim. Sentir o belo no simples, o sorriso
mágico de total aprovação daqueles olhos.Como me despedirei um
dia deles?
Como pode o amor não ser explicado? Eu
o vi hoje, claramente entre a multidão...e ele sorria pra
mim!
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