Oscar da
dor.
Todo dia visito minha mãe.
Não suporto mais o oco dos
corredores.
O escritório vazio,a
cadeira imensa e solitária.
Não sabia que paredes
falavam
nem pias e nem xícaras de
café.
Não sabia que fingir doía
tanto.
Tive que vestir a
camisa pendurada de sorrisos
e brincadeiras
que meu pai
deixou.
Me arrasto por aqueles
lugares.
Chego a ouvir a sua voz
...
-Beleza! Vc está
ai!!?
Por que não consigo me
acostumar?
E te procuro....e tua
presença está ali!
Visão cega da
saudade.
Fecho os olhos e rezo pra
voltar ao passado.
Tento até flertar com a
dor...explorando-a
até o
limite...
Só pra criar
marra!
Saio inchada de angustia de
lá todo dia.
No jardim quando passo ao
sair
sinto aplausos irônicos de
uma platéia chamada agonia.
E me dispo por lá, soltando
ao chão a fantasia.
Silsaboia