|
Crônica VII - Águas da
Prata Soni@ Pallone "...Difícil descrever esse paraíso. Não bastam palavras bonitas para tentar materializar a paisagem que continua aqui, retratada na minha memória... Águas
da Prata é um pedacinho de céu verde escondido no meio das montanhas, com bosques de flores coloridas e piscina de água natural. Cidade por onde, na minha infância, eu desfilava orgulhosa, nas carrocinhas puxadas pelos carneirinhos treinados. A
minha felicidade era tão pura, que eu não podia
siquer imaginar que existisse tanta miséria humana no mundo das
pessoas adultas. Adorava estar ali, e meu Deus,
quisera que a magia do meu desejo, tivesse me transformado em banco daquelas
praças, ou pedra daquelas ruas,
para que petrificada ali, eu pudesse ter fugido do meu destino de
criança que se tornou mulher, transmutando a minha
visão das coisas, do
mundo e dos seres humanos. Nunca
mais tive fins de tardes como aqueles em Águas da Prata, onde o sol vermelho liderava o arco íris como se fosse um Deus-carrossel, liderando uma caravana de luzes e cores que atravessavam a pequena cidade, saudando com nostalgia, o encontro do crepúsculo com o anoitecer.
Na
hora da Ave Maria, um regional diário de bandolim, cavaquinho e violão se formava na casa dos meus tios, e uma festa de valsas e chorinhos fazia o fundo melodioso para todo aquele cenário, que de tão perfeito parecia o próprio céu.
Foi
ali que me apaixonei pela música ...
Foi lá
que a minha sensibilidade poética se manifestou e depois disso
esteve sempre comigo, na ponta
dos dedos, na lembrança
distante e constante de um vale verde bem próximo do céu..."
|
|
|
![]()