(Crônica V)
Pequena Bagagem
Soni@ Pallone
 

"...Ao final da tarde, quando as cores morrem e apenas o vermelho poético do sol persiste, meu pensamento ouve ao longe o latido solitário  de um cão...
 
E isso me faz ver ao redor coisas que respiram  um ar de tédio e abandono,  e me pergunto: quanto de mim pertence à minha vontade? Quanto não passa de um endosso daquilo que se ouve e lê?...
 
Suportei as escoriações que sofri quando escorreguei na vida, mas trabalhei, pra fazer de mim um espírito fértil em contínua evolução...
 
Meu cérebro não passa de um registro medíocre, vago e desmemoriado, embora alguns momentos ficaram como camada de mármore sólido ... Momentos em que canções compostas, poemas escritos, contaram a minha existência e essa é a minha pequena bagagem...
 
Os passos foram se acalmando, e o sono e o esquecimento foram vindo, ondulando, afundando,  cobrindo... Deixo-me estar nesse preciso instante, como se não tivesse nome e nem identidade.  Apenas  um nada, e no entanto, as sementes do despertar e da vida me aguardam amanhã...
 
Nada de sons, nem das pessoas e nem dos cães... Nada de palavras, para limar as arestas finais dessa noite de domingo..."