PORTAS FECHADAS...


Theca Angel


Pensas com olhos no passado
Quando me tinhas ao teu lado
E a vida era de sonhos cercada...

De teu olhar tão distante..
Ando por rotas inconstantes
Já não mais ouço tuas liras...

Perdi-me em ruas esquecidas
Pelo frio invernal batidas
Falta-me o calor de um abrigo.

E então recorro à memória
de um tempo que se faz história
Só por nós dois habitado ...

De teus beijos o sabor ainda guardo
Tuas mãos, como suave orvalho
sinto a minha pele tocando...

Dentro de mim, calo apelos...
Arrepiam-se pelo corpo, anelos
De desejos inacabados...

Meus lábios que tanto ansiavas
E que entre ternuras buscavas
Foram pela tristeza cerrados...

Cerca-me  o pranto de frias águas
que em mar revolto desaguam
em vagalhões despencadas...
 
Meus seios, que o teu toque
ou um simples beijo eriçavam
Não reagem sequer às lembranças...

A lava por nossos corpos, deitada...
São pedras em minha estrada lançadas
E me ferem com  suas pontas...

 
Esta casa, antes de sons cercada,
Hoje tem suas paredes  nevadas
Como os fios de meus cabelos...

Nosso quarto ainda conserva
O eco de tuas palavras
mas já não mais existe a aldrava...

Da porta que do mundo nos afastava...
Porta silente que nos reportava à momentos
Em que entre suspiros, o amor nos falava...

Este corpo que teus abraços buscavam
Está... curvado...cansado...
Carregando o peso de meu pecado...

Esqueça-me...sou folha amarelada
Que ficou no tempo perdida...
Num livro qualquer amassada...

Páginas que guardam porém...
De tantas loucuras vividas,
a poeira das noites estreladas...

O céu que olhamos ainda é o mesmo...
Trás aquela Lua invejosa
Em seu negro manto reclinada...

Estou tão perto...e...tão distante...
Cerraram-se para mim, as portas
Refugio dos seres amantes...