Máquina amada
Vanderli Medeiros
 
 

Máquina bendita, ora maldita,
faz-nos sentirmos tão juntinhos,

receber e dar muito carinho...
Se cai a conexão, dá uma dor no coração,

só então a distância revela a dimensão

que nos separa neste mundão...

 

Se um vírus entra então...
Meu Deus que desespero!
O peito de tanta saudade não agüenta,
arde igual pimenta, quase arrebenta;
Uma ansiedade que beira a tormenta.

 

Se conecto e estás off-line,
que dor, que saudade...
É como pôr-do-sol sem fim de tarde,
é dia sem sol, noite sem luar,
nada parece estar no seu devido lugar.

 

Bendita e santa Internet,
que deixa-nos, através d’uma máquina,
 ver, conhecer, sentir e,

até a voz poder ouvir...

 

Se um dia procurar-me
e não encontrar-me em rede;
Ore por mim, deste mundo já parti.
Somente a morte me afastará
desta máquina e de ti!
 
 
 
 
 
Barra do Garças- MT - 20/04/04
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